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O medo!


Quando somos jovens sonhamos imenso. Fantasiamos muito acerca do futuro. Imaginamos vir a ser grandes pintores, escritores ou escultores.

Vemo-nos conquistar o mundo como músicos, políticos ou estrelas do desporto. Gradualmente, à medida que envelhecemos, os nossos sonhos vão-se desvanecendo, e as pessoas dizem-nos que temos de parar de sonhar acordados, esquecer as nossas fantasias e pormos de lado as nossas esperanças.

A sociedade não gosta de sonhadores, quer que adoptemos um papel prático. Não quer pessoas com as suas próprias visões do futuro. A sociedade quer que vendamos as nossas almas por uma casa suburbana, um automóvel e outros luxos que enfeitem essas fúteis banalidades. Esta sociedade, encontra-se cada vez mais doente, por acção ou por omissão de muitos “irresponsáveis”, atingindo um estado impensável de extrema desorganização, de desrespeito, de indisciplina, ineficiência, da maior iniquidade e da mais clamorosa imoralidade. Acontece que em tempos de crise toda a gente sabe que a família é essencial. Goste-se mais ou menos do Estado Social, sabemos todos que já não chega a todo o lado e no futuro próximo, a menos lados ainda chegará. Durante anos, a julgar pelas “causas fracturantes”, pensaríamos que já não havia classes, que os próprios pobres eram um anacronismo. Notícias dessa morte bem podiam ser também exageradas. Os pobres já cá estavam, mas sente-se que voltaram em força, porque voltaram às notícias. E sabemos que vai haver mais, ou seja, vai haver mais novos pobres. E menos Estado para os amparar.

E é nestes momentos de crise, de fome e de elevado número de desempregados, que os políticos (todos eles), fazem-nos recear a violência de rua de forma a encorajar-nos a permitir que eles (e as estruturas sociais para as quais eles trabalham) tenham mais poder. Os políticos fazem-nos ter medo dos nossos inimigos no estrangeiro (mesmo que esses mesmos inimigos não sejam uma ameaça para nós) porque ao fazer-nos medo eles podem ganhar mais poder. O medo é uma arma potente nos dias de hoje, porque a omnipresença da televisão, da imprensa e rádio, significa que podemos ser amedrontados mais rápida e eficazmente do que nunca. Cada representante de cada estrutura social usa o medo para nos manipular. O medo ajuda-os a ser mais prepotentes, mais arrogantes e mais autoritários. O medo obriga-nos a vergar as costas, a sermos subservientes e a respeitarmos essa cáfila de incompetentes!

Lembre-se que não está só. Ninguém quer dormir debaixo da ponte. Ninguém quer que as pessoas sofram de fome até à morte. Ninguém quer cuidados de saúde ineptos. Ninguém quer ver o ambiente arruinado. Lembre-se que a sociedade só pode fazer coisas que você acha agressivas se a deixar. “Você tem todo o poder do mundo. Cabe a si decidir como e quando usá-lo”!

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